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CAPÍTULO I - INTRODUÇÃO

 

1.1. Dos motivos da escolha de Bonito como área de estudo

Dentro da busca pelo conhecimento geográfico, a região de Bonito há um bom tempo faz parte da minha convivência, sendo responsável por grande parte do meu crescimento, enquanto geógrafo. O primeiro contato pessoal com a região deu-se em 1991, quando estudante do curso de graduação em Geografia, pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul.

A participação, em primeiro momento, apenas como acompanhante, de um grupo de pesquisadores formado pela Professora M. Sc. Maria Bernadeth Cattanio (UFMS), pelo Professor Dr. Heinz Charles Kholler (UFMG) e integrantes do Grupo PET/Geografia do Centro Universitário de Três Lagoas/UFMS (do qual eu era integrante), despertou-me para a possibilidade de desenvolver alguma pesquisa na região. Num segundo momento, auxiliando no mapeamento geomorfológico da Bacia do Rio Formoso, via fotointerpretação, o interesse passou a se concretizar.

O grupo de pesquisadores que acompanhei fazia levantamento das formas cársticas e da geomorfologia da região, visando mapeá-las. Várias outras viagens foram promovidas, através das quais percorremos grande parte da região – de carro ou a pé –, reconhecendo as formas, antes visualizadas e interpretadas em fotografias aéreas.

A riqueza e a beleza das paisagens de Bonito continuavam ainda pouco estudadas e, portanto, carecendo de um maior conhecimento da dinâmica paisagística regional, que ora despertava-se para o fenômeno turístico e para a exploração agropecuária.

O tempo passou e a paixão por Bonito crescia cada vez mais em mim. Como recompensa, fiz minha monografia de final de curso de graduação, tendo como área de estudo uma das bacias hidrográficas da região de Bonito: "O uso do solo na região da Bacia do Rio Formoso: descrição e análise", sob a orientação da Professora M. Sc. Maria Bernadeth Cattanio, onde, a partir de fotografias aéreas de 1965/66, escala aproximada de 1:60.000, interpretei o uso do solo na referida área na época, mapeando as unidades básicas. Minha preocupação era demonstrar o tipo de uso a que a região estava submetida quando do imageamento, visto a fragilidade geoecológica das áreas calcárias/cársticas diante da exploração antrópica. A partir daí, a intenção era fazer um paralelo com o uso atual, averiguando como se deram as transformações histórica da paisagem regional. O tempo curto e a dificuldade de acesso a materiais cartográficos atualizados, impossibilitou a realização deste segundo objetivo.

Durante a realização deste trabalho, passei a conhecer melhor a região de Bonito, e a elegi como a área de estudo para minha possível pesquisa de pós-graduação, consciente da carência e da necessidade de estudos mais aprofundados, que pudessem contribuir para um ordenamento territorial e um planejamento de ocupação e exploração conveniente às características geoecológicas regionais.

Nesse contexto, defini como meta, estudar as potencialidades paisagísticas de Bonito, como uma região de litologia calcária e de ocorrência do fenômeno cárstico, dentro de uma concepção geossistêmica, visando mapear as unidades básicas da paisagem de um ponto de vista dinâmico.

 

1.2. Os objetivos da pesquisa

Este trabalho tem como objetivo principal fazer uma delimitação das unidades básicas da paisagem de uma porção da região de Bonito, MS, considerando suas "descontinuidades objetivas"[Nota: Termo utilizado por G. Bertrand para designar os verdadeiros limites das paisagens, isto é , quando passa-se de uma paisagem para outra, marcados por uma descontinuidade na sua dinâmica e funcionamento.], determinando as potencialidades paisagísticas.

A partir deste ponto central, pode-se destacar outros objetivos a serem atingidos:

· conhecer o comportamento da paisagem de uma região cárstica, diante do processo explorativo.

· analisar o processo de exploração do espaço bonitense para o turismo;

· aplicar e avaliar o sensoriamento remoto como uma ferramenta para os estudos da paisagem;

· contribuir com informações para uma melhor organização e gerenciamento do espaço de Bonito, mediante (re)planejamentos;

 

1.3. Informações sobre o objeto de pesquisa

1.3.1. Bonito no contexto regional

O desbravamento da área que se transformaria na cidade de Bonito, data de meados do século XIX, quando as primeiras habitações foram edificadas na outrora Fazenda Rincão Bonito. Sua fundação foi oficializada pelo decreto do governador de 14 de junho de 1927. Bonito passaria à categoria de município somente em 02 de outubro de 1948.

O Município de Bonito faz parte da Microrregião Geográfica de Bodoquena (MRH 09), localizado no sudoeste de Mato Grosso do Sul, com a sede do município localizada nas coordenadas 21º 07’ 16" de Latitude Sul e 56º 28’ 55" de Longitude Oeste. Possui uma área total de 4.934 km2, correspondendo a 1,40% das terras do Estado. Bonito faz limite com os municípios de Bodoquena (N e NO), Miranda (N), Anastácio (NE), Nioaque (L), Guia Lopes da Laguna (SE), Jardim (S) e Porto Murtinho (SO e O).

De acordo com o Anuário Estatístico de Mato Grosso do Sul - 1993 - SEPLAN-MS, o Município de Bonito abriga uma população de 17.948 habitantes, dos quais 8.344 residentes na zona urbana e 9.604 na zona rural.

O núcleo urbano do município está a 250 km da capital do Estado, Campo Grande. Quatro rodovias principais interligam Bonito à Campo Grande e aos demais municípios do Estado: BR-262, MS-345, MS-382 e MS-399 (vide Figura 1.1.).

Figura 1.1. Localização da área de estudo no Estado de Mato Grosso do Sul.

Apesar da longa distância dos grandes centros urbanos do país, Bonito destaca-se, regionalmente, como uma área promissora dentro do Estado de Mato Grosso do Sul. Bonito, até recentemente, uma pacata cidade, praticamente desconhecida, escondida nos sopés dos maciços calcários da Serra da Bodoquena, aparece no cenário sul-matogrossense como uma região de expressão, especialmente pela fama propiciada pelo recente advento do fenômeno turístico, além das reservas de recursos minerais – calcários e mármores, principalmente – ou pelo alto potencial agropecuário.

Em termos econômicos, Bonito ainda participa muito pouco na economia do Estado. Entretanto, considera-se que o potencial de que dispõe tende a aumentar sua participação, o que determinaria numa intensificação na transformação de seu espaço. Os recursos, tanto reais quanto potenciais da região de Bonito, funcionam como elementos atrativos para o poder econômico. A própria valorização do espaço teve uma elevação nos últimos anos, fato consumado com o advento do turismo e pela melhoria nas condições de acesso. Investimento maciço em hotelaria, com capital oriundo de outros locais, demonstram o interesse que a região desperta. Aliado a isso, outras atividades acabam por surgir ou intensificar-se, à medida que novos recursos são exigidos.

Além desses fatores, percebe-se em Bonito uma transformação no próprio comportamento populacional, após a abertura do seu espaço para o turismo. A necessidade de uma adequação a um setor econômico ligado, diretamente, à satisfação de grupos sociais destinados ao lazer, implica, necessariamente, na adoção de conceitos e comportamentos refinados pela sociedade local.

Frente a essas e muitas outras peculiaridades de que Bonito desfruta, a região é considerada como um espaço privilegiado para o desenvolvimento de pesquisas geográficas.

 


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